É madrugada e eu
estou aqui, enrolada nas minhas cobertas, meio que olhando para tudo que está
ao meu redor e tentando entender o que está acontecendo. Tem um certo
desarrumado no meu quarto que até tem um ar conceitual, daquelas bagunças que
parecem poéticas de se ver. Tá rodando um vídeo motivacional no YouTube, pra
ver se algo flui em algum momento.
Acho que cheguei
a um ponto em que eu não sei muito bem o que está acontecendo. Mal sabia eu que
crescer significava tanta dúvida, tanta incerteza e tanto problema. É um tal de
não saber o que é ou não é. É um tal de ficar perdida nas esquinas esquisitas
que aparecem nos cenários que construímos para viver os nossos dias.
E todo o dia tem
aquilo de acordar e se perguntar, de forma incessante, se a vida está certa, se
o tempo está perdido, se as dores não vão parar, se algo vai se encaixar. De
certa forma, me sinto despreparada para lidar com todo o drama que tem
circundado o meu espectro. Bate um desespero porque a vida tá passando, os dias
estão rolando e a única coisa realmente certa é que nada é muito acertado, nem
muito firmado.
Talvez a minha
grande falha tenha sido a bobagem de acreditar que existem muitas regras para
fazer os planos para a vida. E nisso de achar que eu tinha muita coisa para
seguir, que acabei aqui, com uma dor de cabeça - em todos os sentidos possíveis
- com uma série de perguntas confusas, com certa infelicidade e certo aperto no
coração.
A verdade é que
eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo com a minha vida. Não sei se
vou ou se fico, se deixo a vida se fazer ou me arrisco a fazê-la outra vez. Não
sei largo tudo para o ar ou continuo reclamando mentalmente sobre tudo que sou
obrigada a fazer. Eu pergunto a mim todos os dias quando foi exatamente que eu
me perdi.
Eu sei que eu
não preciso ser o que os outros esperam. Já diziam os vídeos motivacionais do
YouTube e os textos sentimentais que rodam pela internet que a vida é sobre ser
feliz. Mas o que fazer quando não se sabe exatamente de onde vem essa tal de
felicidade? Já me falaram que eu não preciso de pressa pra viver, mas o que
fazer quando o coração bate desesperado pra saber o que vai ser da vida?
Sabem aqueles momentos decisivos, aquela história de "ou vai, ou racha"? Sabe aquele sentimento de querer estar em lugar em que faça sentido? Olho para trás e sei que não posso voltar e a pior parte é olhar para o presente e saber que eu não posso mais continuar onde estou, porque algo precisava mudar.
Passei muito
tempo acreditando que o sofrimento está inerente demais para ser combatido, mas
a verdade é que cada vez mais quero achar o meu lugar nesse mundo confuso. O
desejo por uma vida feliz bate desesperadamente dentro do que eu sou. Sabe
aquele brilho no olhar? Aquela alegria contida no peito que a gente quer
segurar a todo custo entre nossas mãos?
Eu não sei o que
vai ser. Eu não sei onde vou parar. Não sei muito bem onde vou estar amanhã.
Não sei se vou fazer as malas e dar adeus para o presente. Não sei se vou me
despedir das banalidades que criei ao longo dos últimos tempos. Não sei se
darei tempo ao tempo. Não sei se um dia vou encontrar algo que me faça feliz.
Não sei se é hora de largar tudo.
- 02:54
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